É possível desatar os nós da comercialização do artesanato brasileiro?

Os caminhos que dão origem ao ArtizCast 

A pergunta que intitula este ensaio foi também o ponto de partida da pesquisa conduzida pelo projeto Artiz. Antes de lançar um videocast, antes de organizar uma temporada de entrevistas, era preciso escutar.

O mercado do artesanato sob a perspectiva de quem o sustenta 

Em outubro de 2025, o projeto Artiz realizou um levantamento com 95 participantes distribuídos por 19 unidades federativas. Artesãos, lojistas, consumidores, representantes institucionais e outros atores da cadeia produtiva compartilharam percepções sobre preço, circulação, reconhecimento e dinâmicas no mercado do artesanato brasileiro. 

A pesquisa buscou entender como os diferentes elos da cadeia percebem o funcionamento desse mercado hoje. 

Os resultados ajudam a explicar por que o ArtizCast era necessário. 

O que os dados indicam 

Quando perguntados sobre quem mais perde no modelo atual de comercialização, 74% apontaram os artesãos ou grupos produtores. Ao mesmo tempo, 56% afirmaram que quem mais ganha são lojistas ou revendedores. Há ainda 19% que consideram que ninguém ganha de fato, por enxergarem um sistema estruturalmente desequilibrado.

Outro dado chama atenção: 79% consideram o mercado pouco justo ou totalmente injusto com quem produz. Já quando a análise recai sobre a revenda ou o consumidor final, a percepção de justiça aumenta: 83% consideram que o mercado é, na maioria dos casos, ou totalmente justo com quem compra artesanato. 

A leitura não é simples nem binária. Ela revela uma cadeia em que a distribuição de valor é percebida de forma desigual, especialmente na origem da produção. 

Quando o tema é formação de preço, 78% afirmam que o tempo de produção, o saber envolvido e o valor cultural do artesanato estão refletidos no preço apenas às vezes ou raramente. Isso sugere um descompasso entre reconhecimento simbólico e viabilidade econômica.

Ao mesmo tempo, 79 respondentes enxergam impacto positivo nas plataformas digitais como canais de circulação. Há disposição para inovação e para abertura para novos modelos.  

Destaca-se uma percepção de que regras claras e formação em precificação seriam fundamentais para tornar o mercado mais justo. Políticas públicas estruturadas e narrativas que comuniquem melhor o valor do artesanato também são vistas como mudanças necessárias para tornar o mercado mais justo. 

Da pesquisa ao diálogo público 

A pesquisa estabelece a base a partir da qual essa conversa ganha forma. 

O ArtizCast nasce justamente para aprofundar essas questões. Cada episódio amplia os temas identificados na pesquisa: preço justo, intermediação, informalidade, logística, políticas públicas, consumo consciente, transmissão de saberes e estratégias de mercado. 

A proposta é colocar em conversa quem produz, quem comercializa, quem atual nas políticas e quem consome. A intenção é dar densidade pública a questões que são invisíveis e há muito circulam de forma fragmentada. 

O lançamento do ArtizCast representa uma entrega construída ao longo de meses de articulação. A produção envolveu mobilização da Rede Artesol, que colaborou na conexão com grupos produtivos, especialistas e parceiros estratégicos, garantindo diversidade territorial e de perspectivas. 

Esse material audiovisual integra o novo escopo do projeto Artiz que é fortalecer práticas de comércio justo e ampliar a compreensão pública sobre os desafios da comercialização do artesanato no Brasil. 

Produzir inteligência também é política pública 

Ao conduzir essa pesquisa exploratória buscando ouvir pessoas do Brasil inteiro, a Artesol, reafirma seu papel de agente de observação e investigação para produzir inteligência setorial, sistematizar percepções e estruturar pautas para o debate público que possam qualificar e fortalecer os campos socioeconômico, cultural e ambiental do artesanato. 

A análise completa da pesquisa, elaborada por Deborah Moreira, coordenadora do projeto Artiz, pode ser acessada aqui.

A conversa continua no ArtizCast. Convidamos você a aprofundar essa reflexão conosco. Todos os episódios já estão disponíveis aqui.

Um projeto viabilizado pela cultura. 

A pesquisa e o ArtizCast foram realizados por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. 

Patrocínio Master: JK Iguatemi 
Copatrocínio: Sabesp
Realização: Artesol, Ministério da Cultura, e Governo Federal  

Ficha técnica 

Direção Geral e Apresentação: Josiane Masson
Coordenação de Produção: Ahmad Claudio
Roteiro: Gabriel Müller Leal
Assistência de Roteiro: Mariana Santos
Etnografia visual: Theo Grahl
Trilha: Felipe Facchini
Vinheta: Marco Antunes
Captação e Edição: Bruno Brandão Sammarco Rosa, Daniel Pawel, Pedro Henrique Machado, Yuri Silvestre
Narração: Raquel Lara Rezende
Convidados: Amanda Santana, Ana Beatriz Loureiro Ellery, Ana Clara Melo, Anísia Lima de Sousa, Anny Megherdijian Darakjian, Carolina Monteiro, Cecília Gouveia, Durcelice Candida Mascêne, Fátima Santos, Germana Mourão, Helena Kussik, Léia Alves, Marcio Waked de Moraes Rego, Marco Aurélio Saad Pulchério, Monique Barboza, Naira Matos, Petrúcia Ferreira Lopes, Yang da Paz Farias, Zuleide Ferreira

Nota metodológica 

A pesquisa realizada pela Artesol, no âmbito do Projeto Artiz, configura-se como um estudo exploratório nacional de caráter estratégico, conduzido entre 14 e 31 de outubro de 2025, com a participação de 95 respondentes distribuídos em 20 unidades federativas. O levantamento adotou uma abordagem multistakeholder, contemplando diferentes atores da cadeia do artesanato — 43% artesãos, 20% consumidores, 17% lojistas, 12% representantes institucionais ou governamentais e 8% outros perfis — permitindo uma leitura ampliada das dinâmicas do setor. Trata-se de uma iniciativa própria da Artesol, que reforça sua capacidade de produção de conhecimento, sua autonomia técnica e sua liderança no debate sobre comércio justo e fortalecimento do artesanato brasileiro.

Por sua natureza e dimensão amostral, o estudo não pretende oferecer generalizações estatísticas de abrangência nacional, nem se apresentar como retrato definitivo do setor. Caracteriza-se, metodologicamente, como um levantamento de percepção com caráter exploratório e interpretativo, destinado à identificação de tendências, sinais estratégicos e hipóteses para formulação de políticas, projetos e ações de advocacy.

Trata-se de levantamento de caráter qualitativo, com perguntas fechadas em escalas de 1 a 4, ou 1 a 5, que demandam interpretação do respondente. Não tem representação estatística nacional e nem amostral.

A planilha bruta encontra-se disponível aqui. 

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