Da Amazônia ao Artiz: a história das mulheres Sateré-Mawé por trás do chaveiro de jacaré

Parceria entre a AMISM e a FIT chega ao terceiro ano e amplia a circulação do trabalho de artesãs indígenas por meio da curadoria do Artiz 

 Antes de chegar às vitrines do Artiz, o chaveiro de jacaré percorreu um caminho que começa na Amazônia e passa pela história de mulheres que encontraram no artesanato uma forma de fortalecer sua cultura, gerar renda e construir autonomia. 

A peça é produzida pelas artesãs da AMISM — Associação das Mulheres Indígenas Sateré-Mawé, organização criada para apoiar e fortalecer mulheres indígenas por meio do trabalho artesanal. A associação reúne cerca de 100 mulheres entre Manaus e as comunidades da Terra Indígena Andirá-Marau, território localizado entre os estados do Amazonas e do Pará. 

Fundada pela liderança indígena Zenilda Vilacio, a AMISM nasceu do desejo de criar oportunidades para mulheres que, em muitos casos, haviam migrado para a capital amazonense em busca de melhores condições de vida, distantes de seus territórios e de suas redes de apoio. Hoje, a associação é conduzida por novas gerações da mesma família, mantendo vivo o trabalho iniciado por sua fundadora. 

Por meio do artesanato, as mulheres Sateré-Mawé transformam sementes e outros materiais da floresta em adornos e objetos que carregam referências culturais, conhecimentos transmitidos entre gerações e uma profunda relação com seu território. 

A história da AMISM também se conecta à trajetória da Artesol. A associação integra a Rede Artesol – Artesanato do Brasil, iniciativa que identifica, documenta e promove grupos artesanais de tradição cultural em diferentes regiões do Brasil, contribuindo para ampliar sua visibilidade e fortalecer suas oportunidades de comercialização. 

Foi a partir desse contexto que surgiu a parceria entre a AMISM e a FIT. 

Iniciada em 2023, a colaboração nasceu de um processo de aproximação entre a marca e as artesãs Sateré-Mawé. Ao longo dos últimos três anos, a parceria deu origem a coleções desenvolvidas em diálogo com a associação, incorporando referências visuais, grafismos e trabalhos artesanais criados pelas mulheres indígenas. 

A iniciativa foi estruturada para gerar impacto direto para a associação. Além de apoiar o fortalecimento institucional da AMISM, a FIT destinou os lucros obtidos com a coleção ao trabalho realizado pelas artesãs e às ações conduzidas pela organização em defesa da autonomia econômica e da valorização cultural das mulheres Sateré-Mawé. 

O chaveiro de jacaré faz parte dessa trajetória. 

Produzido artesanalmente pelas mulheres da associação, ele integra a coleção FIT + Sateré-Mawé e agora passa a fazer parte da curadoria do Projeto Artiz, ampliando os canais de circulação e comercialização desse trabalho para novos públicos. 

Para a Artesol, iniciativas como essa demonstram a importância de construir relações duradouras entre comunidades artesãs, organizações da sociedade civil e empresas comprometidas com práticas mais responsáveis de valorização do artesanato brasileiro. Quando autoria, reconhecimento cultural e geração de renda caminham juntos, criam-se condições para que saberes tradicionais continuem vivos e possam ser transmitidos às próximas gerações. 

Mais do que um acessório, o chaveiro de jacaré representa uma rede de mulheres, histórias e conhecimentos que atravessam o tempo e seguem encontrando novos caminhos para circular. 

O chaveiro da coleção FIT + Sateré-Mawé está disponível na loja Artiz, no JK Iguatemi, e online CLICANDO AQUI.

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