Abertura: Correntezas criativas
Abertura: Correntezas criativas
Projeto Artiz lança nova curadoria e convida o público a navegar pelas confluências do fazer artesanal brasileiro
Inspirada nas águas, nas origens do fazer e nos encontros entre culturas, a nova curadoria do projeto Artiz celebra o artesanato como um fluxo vivo de memória, criação e regeneração.
O projeto Artiz, iniciativa da ONG Artesol, inaugura uma nova fase de sua programação com o lançamento da curadoria Correntezas criativas, que celebra o Brasil das águas — das nascentes do fazer, dos rios de memória e dos patrimônios imateriais. A mostra, que abre ao público no dia 12 de novembro, a partir das 16h, no Shopping JK Iguatemi, propõe um mergulho poético e político no papel das águas e das confluências culturais que moldam o artesanato brasileiro.
Inspirada no pensamento de Nego Bispo e em seu conceito de confluência — o encontro entre diferentes correntes que se reconhecem e fluem juntas sem que uma anule a outra —, a curadoria propõe olhar o fazer artesanal como um sistema vivo, onde tradição e invenção se misturam, como o encontro das águas do rio Negro e do Solimões.
“O artesanato é movimento. Assim como os rios, ele carrega histórias, sustenta comunidades e molda territórios. As peças que compõem essa curadoria são expressões dessa força: gestos de criação que também são gestos de cuidado”, explica Josiane Masson, diretora executiva da Artesol e curadora da mostra.

Um fluxo de culturas, materiais e saberes
As peças selecionadas na curadoria Correntezas criativas nascem de práticas ecológicas e do uso consciente dos recursos da terra e das águas, refletindo a relação profunda entre natureza, cultura e trabalho. Os artesãos e grupos representados vivem às margens de rios e nascentes que há séculos inspiram e sustentam comunidades criativas — da Amazônia ao sertão, do Pantanal ao litoral.
Entre os participantes desta edição estão Cida Lima (PE), com esculturas em barro que celebram a força feminina; André Menezes (PE), criador do “reclipachê”, técnica própria que reinventa a matéria e o cotidiano; Sil da Capela (AL) e Claudio das Miniaturas (AL), que trazem novas expressões da cerâmica popular alagoana; Nen (AL) e Zezinho de Arapiraca (AL), que trabalham a madeira com precisão e poesia; Yang da Paz Farias (AL) e Sérgio Teófilo (PB), com esculturas que emergem da relação entre natureza e memória; o Povo Terena (MS), com cerâmicas que reafirmam a espiritualidade indígena; o Artesanato em Palha Apiaí (SP) e a Banarte (SP), com trançados e fibras que evocam as margens e raízes do Sudeste; a Associação de Artesãos Redeiras do Extremo Sul (RS), que transforma redes de pesca em objetos de design sustentável; e Will Comin (SP), com pequenas casas em cerâmica que traduzem o cotidiano urbano.
Cada obra, técnica e território se conecta na exposição como um afluente de um grande rio criativo — um encontro entre culturas, tempos e vozes do Brasil.
Alguns desses artesãos estarão presentes no evento de lançamento, compartilhando suas histórias e processos com o público.
Correntezas que unem territórios e tempos
A curadoria também reafirma o papel do artesanato como linguagem contemporânea e força regenerativa. A partir das águas, o Artiz propõe uma reflexão sobre os fluxos que conectam pessoas, ofícios e territórios, reafirmando o valor simbólico e econômico das práticas tradicionais.
Assim como um rio, o fazer artesanal segue vivo porque flui — se adapta, se renova e se reconecta com suas origens. “Correntezas Criativas” é uma celebração desse movimento contínuo: um chamado à escuta dos materiais, da natureza e das mãos que moldam o futuro.
Sobre o Projeto Artiz
O projeto Artiz é uma iniciativa da ONG Artesol que valoriza o artesanato brasileiro de tradição cultural e promove o comércio justo como caminho para o fortalecimento de comunidades e a preservação de saberes ancestrais. Com espaço físico no Shopping JK Iguatemi e presença digital em artiz.org.br, o projeto atua como uma plataforma de curadoria, conteúdo e comercialização, conectando o público urbano ao universo do fazer artesanal de diferentes regiões do país.
Por meio de curadorias temáticas e experiências imersivas, o Artiz busca ampliar o reconhecimento do artesanato como patrimônio cultural e força criativa do Brasil contemporâneo.
Informações para a imprensa:
Mariana Maria Oliveira: [email protected]