Artiz apresenta Festa do Imaginário, nova curadoria inspirada nas festas populares brasileiras 

Reisado, Bumba meu Boi, festejos juninos e Maracatu Rural aparecem em obras de diferentes regiões do país, revelando como personagens e símbolos da cultura popular seguem ganhando novas interpretações na produção artesanal 

São Paulo, agosto de 2026 – O projeto Artiz, iniciativa da ONG Artesol, apresenta no dia 19 de agosto, a partir das 16h no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, sua nova curadoria, Festa do Imaginário. A seleção parte de festas populares, personagens, símbolos e referências que atravessam diferentes regiões do Brasil para observar como esse repertório coletivo permanece vivo também na criação artesanal. 

Reisados, festas do boi, festejos juninos, Maracatu Rural e outras manifestações culturais aparecem na curadoria não como registros estáticos de uma tradição, mas como universos em permanente elaboração. Em barro, cerâmica, madeira, fibras e outros materiais, artesãs e artesãos reinterpretam personagens e imagens reconhecíveis, incorporando a eles repertórios próprios, escolhas estéticas e modos particulares de criar. 

A curadoria percorre, assim, um Brasil em que celebração, religiosidade, memória, território e imaginação muitas vezes ocupam o mesmo espaço. As peças revelam tanto a permanência de referências compartilhadas entre gerações quanto a capacidade de cada criador de atribuir novos sentidos a elas. 

 

Personagens e símbolos que atravessam territórios 

Entre os trabalhos selecionados estão peças do pernambucano Ademilson Eudócio, que leva para o barro o Doutor e Dona Joana, personagens dos festejos de Reisado. Tradicionalmente ligado ao ciclo de celebrações do fim do ano e ao Dia de Reis, o Reisado reúne música, dança, teatralidade e um repertório próprio de personagens que varia conforme os territórios onde é celebrado. 

Do Piauí, o ceramista Genivaldo participa com a peça Santa vestida de boi. A obra se aproxima de um dos personagens mais recorrentes das festas populares brasileiras: o boi, que assume diferentes formas, narrativas e denominações de uma região para outra. 

O mesmo universo aparece nos trabalhos da Cooperativa Mestre Dezinho, também do Piauí. Produzidos em buriti, seus totens trazem referências a manifestações como o Bumba meu Boi e o Tambor de Crioula, incorporando à produção artesanal ritmos e imagens presentes na cultura popular. 

Os festejos juninos surgem nas bandeirolas em cerâmica de Jan Araújo, da Bahia. O artesão parte de um símbolo imediatamente associado às festas de São João, mas transforma cada bandeirola por meio de composições e pinturas próprias, criando diferentes interpretações de uma mesma referência coletiva. 

Já o universo do Maracatu Rural aparece nas peças da pernambucana Patrícia Barros, que incorpora a seu repertório lúdico personagens como o Caboclo de Lança, figura emblemática da manifestação da Zona da Mata de Pernambuco. 

Reunidos, esses trabalhos mostram diferentes movimentos possíveis entre tradição e criação: um personagem de uma brincadeira popular pode chegar ao barro; um símbolo da festa junina pode ganhar outra materialidade; uma figura que existe originalmente no cortejo, na música e no movimento pode ser reelaborada em uma obra. 

O que o Brasil inventa quando festeja 

As festas populares brasileiras constituem um vasto repertório de imagens, sons, personagens, crenças e narrativas. São também espaços de encontro entre diferentes matrizes culturais e formas de pertencimento, com características que se transformam conforme o território e a comunidade que as mantém vivas. 

É desse universo que Festa do Imaginário se aproxima. 

A escolha do tema ganha ainda outra dimensão no segundo semestre, período marcado por um calendário particularmente rico de celebrações populares em diferentes regiões do país. Do Círio de Nazaré, no Pará, às festas de São Benedito, Congadas, Reinados, Reisados e Folias de Reis, manifestações religiosas e populares continuam mobilizando comunidades e renovando repertórios culturais que atravessam gerações. 

A proposta da curadoria é observar esse patrimônio a partir da criação. Em vez de buscar uma representação única do que seria o imaginário brasileiro, a seleção evidencia justamente sua multiplicidade: diferentes artistas podem partir de símbolos semelhantes e chegar a resultados completamente distintos. 

“Quando olhamos para as festas populares brasileiras, encontramos um repertório extraordinário de personagens, símbolos, narrativas e formas de criação. Muitos desses elementos atravessam gerações e continuam sendo reinterpretados pelos artesãos a partir de seus próprios territórios e linguagens. A curadoria procura evidenciar justamente essa vitalidade: uma cultura que preserva referências, mas que continua criando”, afirma Josiane Masson, diretora executiva da Artesol e curadora do projeto Artiz. 

Curadoria e conteúdo 

Festa do Imaginário também dará origem a uma nova frente de conteúdos editoriais no Artiz, ampliando os temas apresentados no espaço físico. 

Entre as pautas previstas estão uma matéria sobre as festas populares como repertório de criação; um conteúdo dedicado às diferentes manifestações do boi no Brasil; um mergulho na relação entre religiosidade, celebração e cultura, tendo o Círio de Nazaré entre suas referências; além de conteúdos sobre personagens como o Caboclo de Lança e figuras do Reisado. 

As peças da curadoria também servirão de ponto de partida para apresentar os artesãos, seus territórios e as diferentes maneiras como referências culturais coletivas são transformadas em criações autorais. 

A produção de conteúdo integra o posicionamento assumido pelo Artiz desde seu relançamento: ampliar o conhecimento sobre o artesanato brasileiro, contextualizando autoria, técnicas, territórios e referências culturais e criando novas conexões dessa produção com temas contemporâneos. 

Sobre o projeto Artiz 

Criado em 2016 pela Artesol, o projeto Artiz atua na valorização do artesanato brasileiro de tradição cultural e na promoção do comércio justo. 

Em sua fase atual, o projeto reúne curadoria, conteúdo e comercialização, conectando seu espaço no Shopping JK Iguatemi à plataforma digital artiz.org.br. As curadorias temporárias aproximam o público de diferentes territórios, técnicas e criadores, enquanto a produção editorial amplia as discussões relacionadas ao artesanato, à cultura brasileira e à sociedade contemporânea. 

A receita obtida com a venda das peças contribui para a sustentabilidade da operação do Artiz e é reinvestida nas ações da Artesol, organização que atua no fortalecimento de artesãos e comunidades em diferentes regiões do país. 

Sobre a Artesol 

Fundada em 1998 pela antropóloga Ruth Cardoso, a Artesol – Artesanato Solidário é uma organização da sociedade civil dedicada à salvaguarda e à valorização do artesanato brasileiro de tradição cultural. 

Sua atuação reúne iniciativas de mapeamento, articulação em rede, formação, produção de conhecimento e acesso a mercado, buscando fortalecer a autonomia e a geração de renda de artesãs, artesãos e comunidades, além de contribuir para a continuidade dos saberes associados à produção artesanal brasileira. 

Serviço 

Abertura da curadoria Festa do Imaginário
Data: 19 de agosto de 2026
Local: Artiz – Shopping JK Iguatemi
Piso 2 – Loja 311
Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 – São Paulo/SP 

Patrocínio ouro: JK Iguatemi
Patrocínio bronze: Esfera
Realização: Artesol
Projeto realizado por meio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais / Ministério da Cultura 

Informações para a imprensa:
Mariana Maria Oliveira
marianaoliveira@artesol.org.br 

19 ago 2026, de 16h às 20h
Onde

Artiz
Shopping JK Iguatemi – Piso 2, Loja 311
Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041
São Paulo – SP, 04543-011

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